Valter Campanato/Agência Brasil

A Embrapa, sob o comando de projetos com recursos do Good Food Institute, acaba de anunciar um desenvolvimento que levanta sérias questões sobre o futuro da alimentação no Brasil. A instituição criou alimentos de origem vegetal, produzidos por impressão 3D, que buscam imitar a aparência e, surpreendentemente, o sabor e a composição nutricional de produtos como salmão, caviar e lula.

O projeto, conduzido pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa, representou um investimento de 30 meses e envolveu a utilização de ingredientes comuns na dieta brasileira, incluindo proteínas vegetais, farinhas de leguminosas e óleos vegetais. Como apurou a Revista Oeste, a pesquisa busca replicar não apenas a aparência, mas também a experiência sensorial dos alimentos de origem animal, um caminho que muitos conservadores consideram preocupante.

A utilização de Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, com material genético de plantas, animais e microrganismos, demonstra um esforço por replicar a complexidade nutricional dos produtos tradicionais. A biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz ressaltou que a tecnologia permite o enriquecimento nutricional dos alimentos, um ponto que deve ser analisado com cautela, dada a tendência de intervenção tecnológica em alimentos.

Apesar do sucesso dos testes de degustação, com comissões de ética dando o aval, a previsão de lançamento comercial ainda não foi definida. A capacidade de aplicar essa tecnologia em impressoras domésticas ou em escala industrial, como defendido pelos pesquisadores, não minimiza as implicações de um mercado alimentício cada vez mais distante das raízes e da tradição do nosso agro.

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