A tragédia se repete no campo sul brasileiro. Em Mato Grosso do Sul, o frio implacável ceifou a vida de 83 bovinos, um retrato sombrio da falta de preparo e da negligência governamental na proteção dos produtores rurais.
A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) confirmou, em 1º de janeiro, o saldo trágico. De acordo com a agência, os animais sucumbiram à hipotermia após exposição direta às temperaturas extremas que assolaram a região. Cinco propriedades rurais foram afetadas, com o maior número de mortes – 74 – concentrado na região de Nova Andradina. Outras nove ocorrências foram reportadas em uma fazenda em Angélica.
Segundo a Revista Oeste, o gerente de Controle de Operações da Iagro, Marco Aurélio Guimarães, aponta que a falta de estrutura adequada por parte de muitos produtores é um fator crucial. Muitos ainda não possuem recursos para enfrentar ondas de frio severas, tornando seus rebanhos vulneráveis. A agência também ressaltou a maior suscetibilidade de animais jovens ou debilitados às baixas temperaturas, evidenciando a necessidade de um manejo mais atento. É crucial que o governo tome medidas efetivas para mitigar esses riscos, e não apenas oferecer conselhos genéricos.
A Iagro minimiza o ocorrido, afirmando que as mortes não representam risco sanitário nem estão relacionadas a doenças ou à qualidade da carne. O impacto, segundo o órgão, é puramente econômico, um duro golpe para os pecuaristas locais. Para evitar perdas, a agência sugere medidas como oferta de abrigo, reforço alimentar e a retirada dos rebanhos de áreas próximas a corpos d’água durante períodos de frio intenso. A comunicação imediata dos casos ao Serviço Veterinário Oficial para registro e atualização do estoque animal também é fundamental, mas a verdadeira responsabilidade recai sobre a inércia de políticas públicas que ignoram as necessidades da classe produtora.









