A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos tem gerado novos pedidos de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). A situação se repete da estratégia adotada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, direcionando os casos para o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos. Parlamentares do PT, PSOL e Rede têm impulsionado essas iniciativas na busca por responsabilização em relação às ações do petista.
Até então, a defesa de Flávio não se manifestou formalmente nos autos da investigação. O ministro Moraes enviou pedidos ao procurador-geral Paulo Gonet para que opinasse sobre a abertura de inquérito ou o arquivamento das suspeitas levantadas. A iniciativa partiu do deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ), que solicitou incluir Flávio no inquérito em relação à denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro, acusando-o de pressão ao governo americano para impor sanções com base na Lei Magnitsky e articulação tarifária sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
De acordo com a Gazeta do Povo, o objetivo seria forçar o STF a absolver Jair Bolsonaro em processos relacionados à tentativa de golpe político e impor tarifas elevadas (50%) sobre bens brasileiras comercializados nos Estados Unidos. Vieira argumenta que os encontros recentes entre Flávio com autoridades americanas no final de maio—incluindo uma reunião com Donald Trump, onde o senador solicitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas, sendo essa demanda atendida—são evidência dessa interferência. “Assim como Eduardo Bolsonaro articulou para impor sanções pessoais contra ministros do STF, Flávio Bolsonaro articula medidas de pressão econômica com o próprio presidente Trump e o secretário Marco Rubio”, afirma Vieira na petição enviada a Moraes, acusando ambos de tentar “interferir no curso das investigações judiciais” neste tribunal.
A situação se agrava com os pedidos feitos pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou incluir Flávio no mesmo inquérito após a decisão dos EUA de enquadrar o PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, alegando obstrução da cooperação jurídica internacional no combate ao crime organizado. Lindbergh também sustentava que a medida traria obstáculos para obter informações sobre transações financeiras destinadas à produção do filme “Dark Horse” em homenagem a Jair Bolsonaro, com conversas envolvendo Vorcaro. O parlamentar alega ainda que o senador busca dificultar investigações financeiras capazes de atingir o núcleo político responsável pela pressão e impedir uma colaboração penal eficaz. Os deputados da Rede e PSOL também solicitaram à PGR investigação sobre Flávio devido ao pedido das facções criminosas, considerando a atuação do senado como “intervenção de potência estrangeira nos assuntos internos do Brasil”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado as críticas contra o senador e seu irmão, chamando-os de “traidores da pátria” em reuniões ministeriais. O petista insinuou que Flávio mereceria ser “enforcado” diante das acusações relacionadas aos encontros com autoridades americanas e suas consequências para a economia brasileira. Em uma demonstração ainda mais contundente, Lula declarou ter sido surpreendido pelos EUA ao repetir as acusações de traição contra o senador em reunião ministerial televisionada no dia 3 da semana passada; e na quarta-feira (3), disse que foi “surpreendida” pela decisão dos Estados Unidos e reiterou suas alegações sobre a existência de uma “traição” por parte do parlamentar.
A Gazeta do Povo procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro para obter um posicionamento, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta reportagem. O senador tem acusado Lula de prejudicar as relações comerciais com os EUA e questionado se a tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos é resultado das ações do petista ou simplesmente uma medida econômica global. Em pronunciamentos recentes, Flávio declarou ter pedido diretamente ao presidente Trump que não taxasse empresas brasileiras e enviado uma carta ao secretário Marco Rubio com o mesmo apelo, em reação às declarações de Lula sobre a “agressão” contra os Estados Unidos e seu discurso antiamericano. O parlamentar anunciou que denunciará Lula no STF por ameaça e incitação ao crime; e na quarta (3), disse ter sido “surpreendido” pela decisão dos EUA, reiterando suas alegações sobre a existência de uma “traição” pelo senador em relação aos Estados Unidos.









