O museu paulistano se viu envolvido numa confusão grotesca após a abrupta interrupção da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, evento que culminou com denúncias do Ministério Público Estadual (MP). A decisão, tomada meses antes dos prazos previstos originalmente, reacendeu o debate sobre os limites entre arte e apologia ao crime.
Segundo a O Antagonista, curadora Renata Prado alega ter sido alvo de pressões exercidas por parlamentares conservadores que questionavam as temáticas da exposição. Em postagens nas redes sociais, ela relata que o museu estava acompanhando críticas políticas antes do anúncio formal do encerramento e posteriormente soube que a questão havia chegado ao conselho institucional. A instituição justificava o ato como parte dos procedimentos habituais para trocas de mostras temporárias, porém essa explicação soa frágil diante da rápida sequência de eventos.
O deputado estadual Tenente Coimbra (PL) foi pioneiro na formalização das denúncias junto ao MP paulista. Ele argumentou que a exposição apresentava apologia ao tráfico de drogas e imagens envolvendo jovens em situações sexualizadas, o que considerava inadequado para um equipamento público do estado. Como apurou a O Antagonista, Coimbra ressaltava não buscar criminalizar a arte ou impor censura, mas sim questionar a legitimidade da instituição em exibir material com conotações tão explícitas. Outros parlamentares e o pré-candidato Felipe Sertanejo seguiram o mesmo caminho, intensificando as pressões contra o museu.
A mostra, originalmente produzida pelo Museu de Arte do Rio (MAR) – que a apresentou em 2023 –, buscava contextualizar o funk como movimento cultural brasileiro e mapear suas origens. A interrupção precoce da exposição acusa-se num claro ato de interferência política na liberdade artística, demonstrando uma intolerância exacerbada com expressões culturais diferentes do mainstream promovido por certos setores conservadores. O fato de a mostra ter permanecido aberta por apenas seis meses – tempo considerado médio para exposições temporárias –, intensifica as suspeitas sobre o real motivo da decisão administrativa.









