Jonas Roosens/EFE/EPA/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Lula intensifica críticas aos Estados Unidos e coloca empresário sob pressão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem elevado o tom de sua retórica contra Washington, gerando preocupação entre líderes do setor empresarial brasileiro e levantando questionamentos sobre a condução das negociações comerciais. A recente proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para impor uma taxa adicional de 25% em produtos brasileiros – com base na Seção 301 da legislação americana –, reacendeu tensões já existentes, colocando o empresariado brasileiro sob crescente pressão e expondo a fragilidade das estratégias diplomáticas adotadas pelo governo.

Segundo a Gazeta do Povo, essa escalada se manifestou de forma abrupta após a acusação direta contra Marco Rubio, secretário-adjunto de Estado americano, rotulado como “inimigo mortal” por Lula na terça-feira (2). O presidente também lançou ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamando-o de “traidor” e “vendilhão da pátria”, em um desvio explícito para a política interna do Brasil, visível no discurso. A declaração culminante – uma referência à Inconfidência Mineira –, que ligava Joaquim Silvério dos Reis ao enforcamento por traição de Tiradentes — embora o delator tenha morrido naturalmente— resultou em um anúncio imediato da representação judicial movida pelo próprio Flávio contra Lula no Supremo Tribunal Federal (STF).

A postura confrontacional do governo tem sido vista com desconfiança pelos analistas, como Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. “O que está havendo é um discurso simplificado dos dois lados por conta do processo eleitoral”, observou o consultor empresarial. “Essa disputa dentro do Brasil atrapalha nossos negociadores”, afirma. A administração americana busca novos instrumentos jurídicos para sustentar sua política comercial após a derrubada das tarifas de 50% impostas pelo ex-presidente Donald Trump, e Lula parece ter adotado uma postura mais combativa como parte da estratégia eleitoral em curso.

A disputa se agrava com o acirramento do debate sobre questões comerciais históricas entre Brasil e Estados Unidos – incluindo a tarifa de importação de 18% sobre etanol brasileiro e as altas barreiras tarifárias no setor automotivo –, que podem ser utilizadas para fins políticos, como apontam os especialistas. O governo já manifestou sua intenção de avaliar o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica em resposta a possíveis sanções americanas, aumentando ainda mais o risco de uma escalada comercial e política entre as duas nações.

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