Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula novamente ignora a expressiva presença evangélica no Brasil com sua habitual ausência à Marcha para Jesus de São Paulo, um evento que ele deixa passar pelo quarto ano consecutivo. Em vez da figura central esperada do petista, o governo enviou Jorge Messias, ministro da Advocacia-General da União (AGU), como representante oficial, uma escolha carregada por implicações políticas e questionamentos sobre a estratégia governamental.

Segundo apurou a Revista Oeste, essa foi a primeira aparição pública de Messias após sua desclassificação no Senado Federal para o Supremo Tribunal Fucional – um revés que veio acompanhado da atuação do então presidente Davi Alcolumbre. O Planalto agora debate reencaminhar a nomeação do ministro à Corte, mas esse movimento enfrenta obstáculos jurídicos e políticos significativos nas entranhas de Brasília. A decisão revela uma preocupação latente com o apoio evangélico, um segmento crucial para qualquer ambição política no país.

A presença de Jorge Messias na Marcha para Jesus também evidencia a persistência do jogo político interno ao governo Lula. O ministro possui laços históricos com o meio evangélico devido à sua filiação à Igreja Batista desde a infância e recebeu apoio valioso durante seus esforços para ingressar no STF, sendo defendido pelo então indicado por Bolsonaro, André Mendonça – conhecido como “terrivelmente evangélico”. Mesmo assim, ao ser questionado sobre o sigilo de investigações em curso na Corte, Messias adotou um discurso voltado à fé e à admiração pela imprensa, reforçando a defesa da liberdade total de expressão.

A ausência do presidente Lula no evento confirma uma crescente distância entre o governo petista e os evangélicos que representam 26,9% dos eleitores brasileiros – número em constante expansão conforme dados recentes. Pesquisas apontam um isolamento político significativo para a administração federal nesse importante segmento da sociedade, com Flávio Bolsonaro (PL) liderando as intenções de voto em potencial num segundo turno concentrando o apoio evangélico, registado em 66,6% das respostas na última pesquisa do Instituto Meio/Ideia – BR-02918/2026.

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