A Polícia Federal exige agora provas concretas para avançar na proposta de delação premiada envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, enquanto a PF aguarda com urgência um posicionamento mais firme da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Segundo apurou a Gazeta do Povo, essa nova etapa na investigação surge após a rejeição inicial pela Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República das informações apresentadas em sua primeira proposta de colaboração premiada.
Após ser transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal devido à negativa dos investigadores, Vorcaro buscou reverter a situação com um novo material acusatório mais detalhado. Esse documento inclui nomes e datas que não constavam na versão anterior, além de anexos significativos – o que gerou cautela nas análises iniciais das equipes investigativas. A defesa do empresário almeja agora obter a homologação da delação premiada para depois pleitear sua conversão em regime domiciliar como forma de mitigar as consequências legais de suas ações, conforme revelado por fontes próximas ao caso.
A Polícia Federal tem demonstrado crescente desconfiança com relação à proposta apresentada pelo advogado Sérgio Leonardo, que assumiu a defesa após a saída do criminalista José de Oliveira Lima (o “Juca”). A insatisfação se deve principalmente à omissão de detalhes cruciais sobre ligações e ações envolvendo figuras políticas e autoridades dos Três Poderes da República – um ponto central na investigação. Segundo o professor e advogado especialista em Direito Constitucional, Alessandro Chiarottino, a obtenção formal do acordo dependerá da aceitação dessa nova versão pelos órgãos competentes.
A situação se agrava com as suspeitas de que Vorcaro tenha omitido informações relevantes sobre pagamentos mensais no valor de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP), um dos principais alvos das investigações, e sua possível participação em favorecimentos políticos relacionados à gestão do Banco Master. A menção a Ciro na proposta inicial foi meramente como “amigo”, sem detalhamento ou descrição das relações que o ligavam ao banqueiro, gerando questionamentos sobre a amplitude da colaboração premiada e seus possíveis limites – um ponto de divergência entre as equipes investigativas e a defesa do empresário.









