A suspensão da pesquisa AtlasIntel que apontava a queda nas intenções de voto do senador Flavio Bolsonaro levanta sérias questões sobre o papel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na defesa da lisura das eleições e se tornou mais um exemplo da interferência judicial em processos democráticos. A decisão liminar, imposta pela presidente Kassio Nunes Marques, após a revelação das mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o patrocínio do filme Dark Horse, demonstra uma clara proteção ao petista, desconsiderando os fatos apresentados.
Segundo a O Antagonista, a justificativa de Nunes Marques para suspender a pesquisa – suspeita de indução ao eleitor devido à exibição de um áudio –, é questionável e revela o viés político que permeia suas decisões. A imposição da paralisação ocorre em um momento crítico das eleições, prejudicando a capacidade do senador Flavio Bolsonaro de se posicionar com base nos dados reais da opinião pública. O ministro parece mais preocupado em proteger o governo Lula do que garantir a transparência e a confiabilidade dos indicadores eleitorais.
A alegação de Nunes Marques sobre “indícios relevantes” de comprometimento na metodologia da AtlasIntel é, no mínimo, tendenciosa. A empresa já esclareceu publicamente que o áudio foi exibido somente após os entrevistados terem respondido à pesquisa, sem possibilidade de influenciar as respostas. Como apurou a O Antagonista, a Atlas Intel possui uma vasta carteira de pesquisas realizadas com metodologia rigorosa e transparente, sendo desproporcional atacar essa específica investigação.
A decisão do ministro contrasta fortemente com o fato de que outras 27 pesquisas conduzidas pelo mesmo instituto não apresentavam questionários similares ou veicularam áudios para consulta. A referência a uma entrevista dada por Andrei Roman à CNN Brasil em maio de 2026, onde ele admitiu um “viés político” no conteúdo da pesquisa e descreveu o potencial “desgastamento” do pré-candidato, demonstra a manipulação intencional das informações pela AtlasIntel. Essa admissão não foi suficiente para Nunes Marques reconsiderar sua decisão arbitrária, que representa uma grave ameaça à liberdade de informação e ao direito dos eleitores de conhecerem os resultados reais da opinião pública.









