Lula Marques/Agência Brasil

Haddad abre brecha com Lula e Washington ao defender cooperação para combater crime organizado

O pré-candidato à presidência de São Paulo, Fernando Haddad (PT), surpreendeu o cenário político brasileiro ao admitir a necessidade do Brasil buscar alinhamento estratégico com os Estados Unidos no combate às facções criminosas. A declaração ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, geradas pela postura adotada pelo governo Lula da Silva.

Segundo a Revista Oeste, Haddad defendeu que o país precisa “cooperar” para rastrear as finanças e os arsenais das organizações criminosas – incluindo o PCC e Comando Vermelho –, uma posição diametralmente oposta à linha do presidente Lula, que classificou como “incompreensível” a proposta de alinhamento com Washington. O petista reiteradamente argumenta que essas ações representam um enquadramento indevido das mafias brasileiras na legislação antiterrorismo americana e que o combate deve ser realizado exclusivamente no território nacional.

O presidente Lula, em seu discurso recente em Sergipe, minimizou a dimensão internacional do crime organizado brasileiro, afirmando que os criminosos não são “terroristas” como aqueles desejados pelo ex-presidente Donald Trump. A crítica presidencial se estendeu ao questionamento das exigências da Casa Branca e à cobrança de deportação do antigo diretor da Abin Alexandre Ramagem e do empresário Ricardo Magro – ambos acusadas por Lula de favorecer interesses estrangeiros no combate à lavagem de dinheiro, citando a tolerância dos Estados Unidos com paraísos fiscais como o Estado de Delaware.

A declaração pública de Haddad ecoou as articulações da bancada liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem sido um crítico ferrenho das políticas do governo federal e defendido uma postura mais assertiva no combate ao crime organizado, inclusive com a busca por parcerias internacionais. A Revista Oeste apurou que essa estratégia se alinha à visão de alguns setores da oposição brasileira na esfera internacional, buscando fortalecer as relações bilaterais em temas considerados prioritários para o país.

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