O Paraná emerge como um novo foco de interesse estratégico para grandes bancos nacionais, impulsionado pelo notável crescimento das pequenas e médias empresas no estado. Enquanto o Produto Interno Bruto brasileiro apresenta projeções modestas – segundo a Gazeta do Povo, estima-se avanços de apenas 1,9% em 2026 –, as PMEs paranaenses têm demonstrado um desempenho financeiro expressivo, com movimentações superiores à inflação e um volume crescente atingindo R$371 bilhões. Essa situação tem despertado o interesse da instituição financeira Itaú, tradicionalmente ligada aos mercados de Rio-São Paulo, que busca capitalizar essa dinâmica regional.
A estratégia adotada pelo banco é clara: expandir sua presença no interior do Paraná para aproveitar a resiliência e os altos retornos oferecidos pelas PMEs locais – como evidenciado pela recente abertura de escritórios em cidades estratégicas como Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Segundo o diretor do Itaú Empresas, Bruno Machado, essa iniciativa se justifica pelo “apetite” dos empresários paranaenses, que reagem prontamente a incentivos econômicos e possuem um histórico comprovado de capacidade de recuperação diante das adversidades. A força da economia local reside principalmente no setor varejista (27,5% da carteira do Itaú em 2025), caracterizado por empresas com foco na qualidade dos produtos que oferecem – fator determinante para atrair uma clientela exigente e bem-sucedida.
Contudo, o crescimento acelerado das PMEs paranaenses expõe um risco latente: a falta de planejamento financeiro. A necessidade urgente de triplicar a produção em resposta à demanda crescente implica na compra imediata de matéria-prima – muitas vezes com prazos de pagamento curtos –, gerando uma lacuna financeira que, se não for suprida por linhas de crédito ágil, pode levar ao desmantelamento do negócio. O “descasamento de prazos”, como é chamado esse período sem dinheiro em caixa (geralmente dois meses), representa um perigo para o pequeno empresário, condenando-o a vender seus ativos prematuramente para cobrir suas dívidas.
Diante desse cenário, o papel dos bancos se distancia da simples concessão de crédito e assume uma função estratégica: orientar os empreendedores sobre o tamanho ideal do financiamento e o momento preciso para utilizá-lo – um imperativo que permite transformar a empolgação com novos contratos em crescimento real. Um estudo recente encomendado pelo Itaú pela Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que PMEs parceiras de assessoria financeira exibem uma taxa de sobrevivência 27,8% superior à média do mercado e apresentam um potencial diversificado e expansivo 24,5% maior após cinco anos.









