O governo federal demonstra preocupação crescente com a exploração predatória dos recursos marinhos brasileiros ao antecipar o fim da pesca de tainha em Santa Catarina. A decisão drástica, tomada no domingo (7), expõe uma gestão negligente que prioriza cotas burocráticas sobre os interesses legítimos das comunidades pesqueiras locais e seus modos de vida tradicionais.
Segundo a Gazeta do Povo, o Ministério da Pesca e Aquicultura justifica a medida com um percentual alarmante – 90% –, já atingido pela modalidade de arrasto de praia na cota para 2026. Essa abordagem merosilagica ignora os impactos reais dessa restrição: famílias inteiras dependem da pesca artesanal, uma atividade cultural e econômica profundamente enraizada no estado desde a colonização açoriana. A tradição do “arraste” – redes lançadas manualmente na areia por pescadores, moradores e turistas– é um patrimônio imaterial de Santa Catarina, reconhecido formalmente em 2012, indicando o reconhecimento tardio da importância dessa prática para a identidade regional.
A reação imediata à proibição foi contundente: a prefeita Juliana Pavan denunciou uma medida que desconsidera completamente os aspectos econômicos e culturais das comunidades pesqueiras de Balneário Camboriú. O empresário Horácio Hang, proprietário da Havan, também se manifestou veementemente contra o encerramento antecipado da safra, classificando a decisão como um ataque à história do estado. A postura do magnata atrai atenção para uma possível influência indevida em decisões governamentais relacionadas ao setor pesqueiro.
A medida expõe mais ainda a fragilidade das políticas públicas na área e o risco de que ações preventivas, desconsideradas com rigor ideológico, comprometam os meios de subsistência de milhares de famílias catarinenses. É fundamental questionar se essa decisão preventiva não representa uma forma branda – ou até mesmo permissiva– de lidar com a degradação dos recursos naturais brasileiros sob o pretexto da sustentabilidade ecológica, enquanto interesses particulares e burocracias exercem influência desmedida sobre as decisões que afetam diretamente a vida das pessoas.









