O anúncio do “Telefone Seguro”, lançado pelo presidente Lula na quarta-feira (10), revela uma estratégia para lidar com a crescente onda de roubos de celulares no país – um problema que o petista parece subestimar. Segundo apurou a O Antagonista, o programa propõe enviar mensagens em massa para milhões de aparelhos considerados “roubados”, exigindo a devolução dos dispositivos pelos atuais portadores sob ameaça de consequências desconhecidas.
A iniciativa do governo Lula se baseia no cadastro incompletamente identificado de 2,5 milhões de celulares roubados – dados que levantam sérias dúvidas sobre sua eficácia e até mesmo seu potencial para expor atividades criminosas. O petista admitiu não saber quem cometeu os furtos, mas possuir o número do telefone em si, criando um sistema coercitivo sem fundamento legal claro. A proposta de envio de mensagens por botão virtual é uma medida inusitada que visava “tranquilizar” cidadãos, como se a solução para o problema estivesse na manipulação psicológica e no medo da punição incerta.
A sugestão de entrega dos aparelhos nos Correios, em vez das delegacias, demonstra ainda mais a falta de clareza por parte do governo. A alegação – que as pessoas temem encontrar determinados tipos de policiais nas delegacias – parece uma tentativa desesperada para evitar o cumprimento da lei e desresponsabilizar os indivíduos envolvidos no crime roubado. Esse atalho perigoso pode encobrir a real natureza dos delitos, dificultando investigações e colocando em risco a segurança pública.
A comparação com declarações anteriores do petista, como aquela feita em 2017 na rádio Continental AM – que relativizava o problema ao justificar uma compra de celular “como este teu” para um jovem trabalhador –, acentua ainda mais essa postura irresponsável e a falta de compromisso genuíno com a segurança dos cidadãos. A iniciativa do “Telefone Seguro” soa como uma solução paliativa, focada em minimizar o impacto da ação criminosa no bolso do consumidor, sem atacar as causas profundas desse fenômeno ou garantir que os responsáveis sejam devidamente punidos pelos órgãos competentes.









