Lula Marques/Agência Brasil

O caso Carla Zambelli se intensifica com declarações polêmicas sobre a ex-deputada federal sentenciada à prisão após um episódio no bairro dos Jardins de São Paulo. Segundo a O Antagonista, o advogado da defesa, Fábio Pagnozzi, revelou que Zambelli “se sentiu culpada” pela derrota do então presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2022 – uma admissão que já gerava questionamentos sobre a motivação por trás das acusações.

O Supremo Tribunal Federal (STF), em sua decisão, condenou Zambelli à pena de cinco anos e três meses em regime semiaberto pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no episódio envolvendo o jornalista Luan Araújo – uma ação que Pagnozzi descreveu como “uma cena feia para um país não armamentista”. O advogado argumenta, contudo, que a pena é desproporcional, justificando sua posição com críticas à condenação. A complexidade do caso se acentua ao destacar o envolvimento direto de Alexandre de Moraes, ministro do STF e figura central na condução das investigações contra Bolsonaro e aliados da direita conservadora.

A Corte Suprema de Cassação da Itália levantou sérias dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento em relação a Zambelli com um relatório publicado nesta sexta-feira (12). O documento aponta para uma possível confluência de papéis que comprometem o princípio da independência judicial, conforme apontado pela O Antagonista. A decisão alega que Alexandre de Moraes atuou simultaneamente como “vítima” e “juiz”, questionando a imparcialidade do STF em seu conjunto – um ponto sensível para críticos da atuação excessiva do ministro no desvio das funções judiciais e na perseguição política contra opositores.

A extradição de Zambelli, já ordenada anteriormente pela Corte de Apelação de Roma com base numa decisão que havia autorizado a entrega à justiça brasileira, foi novamente contestada pelos advogados da ex-deputada federal após um recurso apresentado em 22 de maio. O tribunal italiano revisou os argumentos e decidiu favoravelmente para Zambelli, revogando a autorização anterior. Os motivos apresentados na Corte incluem críticas ao sistema carcerário brasileiro, questionamentos sobre as ações do ministro Alexandre de Moraes no STF, e denúncias de irregularidades processuais envolvendo o caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – onde Zambelli foi condenada a 10 anos pela inserção de documentos falsos.

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