O agronegócio brasileiro atravessou nos últimos anos um período de resultados expressivos. Em 2025, a agropecuária respondeu por cerca de um terço do crescimento de 2,3% da economia nacional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A produção de milho avançou 23,6%, a de soja cresceu 14,6% e a pecuaria também contribuiu para o desempenho do setor.
No entanto, com a possibilidade de formação do El Niño entre junho e julho, produtores e especialistas acompanham a evolução do fenômeno que pode influenciar no planejamento da safra 2026/27 gerando reflexos em diversas cadeias do agronegócio. Projetções mostram que o agropecuária deve perder ritmo nos próximos meses e pode entrar numa trajetória de desaceleração até 2027. Além do risco climático, o setor enfrenta um cenário com custos mais elevados, especialmente no quesito fertilizantes.
A preocupação não se restringe aos modelos meteorológicos internacionais. Em março, o Instituto Nacional de Meteorologia e o Ministério da Agricultura divulgaram uma nota técnica alertando para possíveis impactos do El Niño sobre a agricultura brasileira. Segundo o documento, as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste podem enfrentar períodos mais longos de estiagem durante a safra de verão. O cenário pode prejudicar a implantação das lavouras e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho além de ampliar o risco de perdas em áreas dependentes exclusivamente das chuvas.
As sinalizações no Oceano Pacífico reforçam esse alerta, com atualizações recentes da National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa) divulgadas em 11 de junho, que reforçaram o seu monitoramento climático. O índice Niño 3.4 atingiu +0,7°C e a região Niño 1+2 chegou a +2,1°C caracterizando oficialmente o começo do evento.









