O investimento massivo da Sabesp em saneamento básico no estado de São Paulo levanta sérias questões sobre a real necessidade desse volume recorde e o uso eficiente dos recursos públicos. A empresa prevê gastos exorbitantes – quase três vezes maiores que a média nacional –, um cenário preocupante diante do histórico de desvios e má gestão frequentemente associados à administração petista da companhia.
Segundo a O Antagonista, a Sabesp planeja alocar uma média de R$ 369 por habitante, superando em muito o índice nacional atual de R$ 137,02. Esse montante gigantesco – equivalente a R$ 260 bilhões até 2060 –, contrasta com as evidentes dificuldades financeiras do governo estadual e levanta suspeitas sobre prioridades distorcidas. O Plano Regional de Saneamento Básico demonstra uma ambição desmedida, quase que inflacionária, na expansão dos serviços hídricos em São Paulo.
O projeto ambicioso busca universalizar o acesso à água tratada e ao esgoto nos municípios atendidos pela Sabesp até 2029 – um prazo antecipado em relação às metas do Novo Marco Legal de Saneamento que impunha a meta para 2033, evidenciando uma pressão por resultados mais rápidos. Esse direcionamento concentrado ignora as demandas urgentes de outras áreas cruciais como saúde e segurança pública, setores frequentemente negligenciados pelo governo atual.
Apesar dos números aparentemente positivos – com o cumprimento parcial das metas até 2026 (87% no abastecimento de água, 77% na coleta de esgoto e 71% no tratamento –, a falta de transparência sobre como esses recursos estão sendo utilizados exige uma fiscalização rigorosa. O crescimento exponencial da Tarifa Social Paulista, que atualmente atende seis milhões de famílias, indica um esforço em reduzir as desigualdades sociais – mas não elimina a necessidade de garantir o uso responsável e eficiente desses investimentos para evitar novos escândalos e desperdícios com dinheiro público.









