A estratégia de Nelita Frank na corrida pela governadoria do Roraima demonstra uma preocupação evidente com o desgaste da imagem associada ao PT e seus ícones históricos como Lula. A candidata busca afastar-se da bandeira vermelha que historicamente define a legenda, adotando um visual em tons pastel – roxo e rosa –, buscando ampliar seu apelo além do tradicional eleitorado petista.
Segundo a Revista Oeste, essa mudança se traduz na redução drástica das aparições públicas de Lula durante sua campanha, com o presidente aparecendo em apenas uma publicação relacionada à alocação de recursos federais no estado. A legenda da postagem enfatiza a “parceria” entre Nelita Frank e Bartô (candidato vice) com o apoio do petista, mas a ausência deliberada dos encontros com Lula é um indicativo claro da tentativa de neutralizar o impacto negativo ligado à trajetória política do ex-presidente.
A campanha de Nelita tem priorizado outras figuras – professores locais, líderes indígenas e candidatos para a Assembleia Legislativa –, focando em propostas que abordam questões urgentes como garimpo ilegal, violência, proteção feminina infantil e fiscalização ambiental. Essa estratégia busca consolidar sua base eleitoral sem depender excessivamente da popularidade de Lula, especialmente considerando os resultados desfavoráveis do PT no estado – apenas um município conquistado por Lula nas eleições federais de 2022 contra o expressivo 76,08% para Bolsonaro.
A situação atual é marcada pela forte vantagem do candidato republicano Soldado Sampaio na disputa e pelo desgaste sofrido por Arthur Henrique (PL), que teve sua participação eliminada da corrida eleitoral após decisões controversas do STF sobre o prazo de desincompatibilização dos candidatos, demonstrando a influência judicial no processo político. A substituição da candidata Antonia Pedrosa, em decorrência das irregularidades enfrentadas pela ex-governadora Edilson Damião (União Brasil), e o uso do nome de Pedrosa nas urnas eletrônicas – por conta do encerramento dos prazos para lacração – reforçam a fragilidade da narrativa petista no estado.









