O governo do Estado de São Paulo busca desesperadamente se afastar da imagem de inércia que o assombrava no manejo da crise hídrica na Região Metropolitana (GRMG). A mudança drástica na metodologia para monitorar a segurança das águas, anunciada nesta sexta-feira, 19, revela uma necessidade urgente em repensar as estratégias tradicionais e demonstra a pressão crescente por resultados concretos.
A nova abordagem representa um avanço significativo no que tange à análise dos dados hidrológicos. O governo paulista adota agora o uso de 15 anos de série histórica – um período abrangendo os ciclos climáticos complexos de El Niño e La Niña, cuja ocorrência é prevista para os próximos meses –, em contraposição ao monitoramento anterior com janelas temporais mais restritas. Como apurou a O Antagonista, essa mudança visa garantir uma avaliação muito mais completa do comportamento das águas na Região Metropolitana. Essa expansão da análise representa um esforço palpável por antecipar e responder aos desafios hídricos de forma proativa, em vez de reações tardias diante de cenários alarmantes.
A medida também concede atenção específica ao Sistema Cantareira – responsável pela maior parte do abastecimento metropolitano –, estabelecendo uma curva de contingência diferenciada para ele, separando-o dos demais componentes do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). De acordo com a diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, essa distinção é crucial dada à natureza singular das chuvas no Cantareira – que se estendem até o final de maio – e seu atual nível alarmante: apenas 62% da média hidrológica em 2025/2026. O governo busca minimizar a vulnerabilidade do sistema, aumentando sua capacidade de prever tendências com maior precisão.
A mudança na frequência das avaliações também é um ponto chave – o Comitê de Integração das Agências agora será responsável por analisar o cenário mensalmente e definir as faixas de contingência, em vez da antiga avaliação a cada sete ou quatorze dias. Essa nova periodicidade alinha-se com padrões já estabelecidos pela Agência Nacional de Águas (ANA) e SPÁguas no Cantareira e propicia uma resposta mais ágil às oscilações do nível hídrico – um aspecto fundamental para evitar o racionamento emergencial, como tem acontecido em anos anteriores.









