Parastoo Ahmadi — Foto: Reprodução

A barbárie impune continua no Irã: cantora é condenada a chibatadas após desafiar imposições religiosas. A situação da Parastoo Ahmadi – jovem de 29 anos e talentosa artista iraniana – expõe mais uma vez o autoritarismo do regime teocrático, que não tolera qualquer desvio em relação às suas rígidas normas impostas à população feminina.

A cantora, nascida em Nowshahr no norte da província persa de 1997, era reconhecida por sua habilidade como compositora e cineasta, utilizando elementos da rica tradição poética iraniana para abordar temas contemporâneos. Em fevereiro deste ano, Parastoo se apresentou em um show transmitido via YouTube ao lado de uma equipe de produção, interpretando a canção patriótica “Az Khoon-e Javanan-e Vatan” (Do Sangue da Juventude da Pátria) sem o uso do hijab exigido pelo governo. O evento, batizado como “Concerto Caravanserai”, obteve ampla repercussão online e expôs a hipocrisia de um regime que prega valores religiosos enquanto reprime qualquer manifestação individual e artística.

Segundo apurado pela O Antagonista, o tribunal da província de Qom impôs à jovem artista uma sentença brutal: 74 chibatadas, além da proibição permanente de viagens internacionais e atividade profissional por dois anos. A punição se baseia em acusações absurdas – atentado ao pudor e divulgação de conteúdo “vulgar” e “imoral” na internet –, demonstrando a completa falta de respeito com os direitos humanos básicos no país. É lamentável que, diante da crescente repressão contra as mulheres iranianas, o mundo continue assistindo passivamente à violação sistemática dos seus direitos fundamentais.

A reação do caso gerou indignação em diversos setores e na internet. A professora Fatemeh Shams, especialista em literatura persa da Universidade da Pensilvânia, expressou sua profunda crítica através das redes sociais: “Não se trata apenas de silenciar mísseis ou interromper ataques aéreos; a verdadeira paz só existe quando as mulheres e manifestantes inocentes deixam de ser vítimas de violência”. A situação expõe o cenário desolador no Irã – um regime que, em nome da religião, perpetua uma cultura de terror contra qualquer forma de liberdade individual.

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