Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Brasil mergulhou na obscurantismo competitivo global, atingindo o seu pior desempenho histórico no Ranking de Competitividade da IMD World Competitiveness Center e Fundação Dom Cabral para 2026 – um reflexo alarmante do caos econômico gerado pelas políticas governamentais. O país caiu drasticamente sete posições, posicionando-se em 65º lugar entre os 70 países avaliados, superando o já desastroso resultado de 2024 quando ficou em 62ª posição.

A deterioração simultânea dos quatro pilares do estudo – performance econômica, eficiência governamental, eficientismo empresarial e infraestrutura – expõe a profunda instabilidade que assola o país. O cenário macroeconômico nacional é marcado por uma política monetária e fiscal descontrolada, um endividamento público exorbitante, inflação persistente e oscilações cambiais voláteis; fatores diretamente ligados à má gestão dos recursos públicos. Como apurou a *O Antagonista*, o alto índice de juros, apontado pelo diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC, Hugo Tadeu, para O Globo, amplifica significativamente os custos de capital das empresas brasileiras, um fator crucial na avaliação global.

Tadeu ressalta que a complexidade regulatória constante – “mudanças frequentes nas regras para se fazer negócios”– e o mercado com baixa liquidez também contribuem adensando as dificuldades no ambiente empresarial brasileiro. O crédito caro eleva os custos de financiamento, dificultando investimentos e planejamento estratégico das empresas, como evidenciado pela posição final do Brasil nesse quesito. A situação é agravada pelo baixo desempenho em indicadores relacionados à qualificação da força de trabalho: educação básica precária (primaria e secundário), baixa produtividade, lacunas nas habilidades linguísticas e financeiras, além um alto nível de endividamento corporativo – apontados como os maiores riscos para a competitividade futura do país.

Apesar desse cenário sombrio, o estudo aponta alguns pontos positivos: geração eficiente de empregos, atração considerável de investimentos estrangeiros diretos, forte dinamismo no setor de empreendedorismos e produção em expansão na área da energia renovável – áreas que contrastam com as falhas estruturais identificadas. No entanto, a fragilidade do capital humano permanece o principal obstáculo para uma retomada sustentável da competitividade brasileira; necessitando investimentos urgentes em educação técnica profissionalizante e no desenvolvimento de competências adequadas à economia global atual e futura.

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