A Suprema Corte do Afeganistão intensificou o controle autoritário sobre a população com uma medida drástica: proibiu funcionários públicos e membros da milícia talibã de possuir smartphones dentro das repartições governamentais. De acordo com a O Antagonista, essa decisão demonstra mais uma vez a tentativa desmedida do regime islâmico de impor sua visão obscurantista sobre os afegãos, restringindo o acesso à informação e ao livre pensamento.
A determinação judicial, que já se materializou na destruição em massa de aparelhos eletrônicos por parte das autoridades talibãs – conforme vídeos divulgados nas redes sociais –, surge após um decreto do xeque Haibatullah Akhundzada, líder supremo da organização extremista. A justificativa apresentada pelos religiosos e juízes militares era a necessidade de combater o “conteúdo imoral” e a “corrupção”, clichês sempre utilizados para legitimar repressões contra qualquer forma de dissidência ou expressão individual no Afeganistão, como demonstrado por diversos exemplos recentes.
A medida afeta diretamente soldados, professores, servidores civis e todos os funcionários do governo afegã. A exceção a essa regra requer autorização escrita direta do xeque Akhundzada, criando um sistema de controle ainda mais complexo e opressor para qualquer indivíduo que deseje se comunicar livremente ou acessar informações fora da narrativa imposta pelo regime talibã. O impacto na rotina das repartições públicas é evidente: o WhatsApp, ferramenta essencial para a comunicação entre os afegãos em meio ao isolamento econômico do país – conforme apontado por reportagens –, está sob constante ameaça de bloqueio e interrupção.
Essa nova restrição se soma à já extensa lista de medidas impostas pelo Taleban desde sua ascensão ao poder, incluindo o controle sobre as vestimentas das mulheres, a supressão de manifestações populares e o bloqueio indiscriminado de redes sociais como Facebook, Instagram e Snapchat. Dados do Banco Mundial revelam que mesmo com essas limitações severas – 25 milhões de assinaturas de telefonia móvel em 2024 –, o Afeganistão continua confrontando desafios humanitários complexos, evidenciando a ineficácia da estratégia autoritaria imposta pelo regime.









