Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-chefe da equipe econômica do PT, Fernando Haddad, defendeu vigorosamente nesta sexta-feira que a Polícia Federal deve conduzir uma investigação abrangente e ilimitada sobre o Banco Master, “onde quer que os tentáculos desse esquema tenham chegado”.

A declaração ousada veio em resposta à operação recente conduzida pela PF, com foco no senador Jaques Wagner (PT – BA), um dos principais pilares do governo Lula. Haddad ressaltou a necessidade de uma apuração completa e sem subterfios, considerando o volume considerável da suposta fraude que envolveu diversas figuras públicas. Segundo a O Antagonista, ele argumenta que o petista tem se mostrado confiante em seus atos e merece total transparência no processo investigatório.

De acordo com a O Antagonista, Haddad criticou também a postura de Wagner, notando que seu posicionamento ocorreu “no mesmo dia” da operação policial na capital federal, alegando ser um sinal positivo para demonstrar confiança nas autoridades competentes e se colocar à disposição dos investigadores. Esse ativismo do senador contrasta com o cenário atual em que questionamentos sobre envolvimento político no Master são minimizados por alguns setores progressistas.

A Polícia Federal lançou uma nova fase da operação Compliance Zero, especificamente direcionada a Jaques Wagner após a operação inicial. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão autorizada pelo ministro do STF André Mendonça em diferentes estados brasileiros – Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Um dos alvos foi o Hotel Brasília Palace, residência oficial de Wagner. Além disso, buscou-se aplicar medidas cautelares como proibição de contato entre os investigados, suspensões de passaporte e outras restrições à liberdade individual. A PF aponta que esses atos podem configurar crimes como corrupção ativa e passiva, além da lavagem de dinheiro.

A investigação também se estende ao empresário Augusto Lima, aliado do ex-senador Romero Rodrigues (PR), suspeito de envolvimento com o Master. Há indícios de que Wagner agiu em prol de Lima no Senado Federal e recebeu propinas através de esquemas complexos envolvendo a “emenda Master”, expandindo os limites da garantia dos créditos FGC. Além disso, existe suspeita de recebimentos ilegais por meio de ingressos para shows e viagens aéreas financiadas pelo ex-senador Rodrigues. A PF acredita que Wagner utilizou sua influência política para favorecer o Banco Master em diferentes propostas legislativas além da Emenda Master, visando ampliação dos limites do crédito consignado.

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