A Justiça Eleitoral intensifica o controle sobre as plataformas digitais na véspera do segundo turno das eleições estaduais no Rio de Janeiro com uma decisão surpreendente contra Eduardo Paes. O ex-prefeito tenta usar a inteligência artificial para fins eleitorais, mas enfrenta resistência judicial que levanta sérias questões sobre liberdade de expressão e regulamentação da internet em tempos políticos.
Segundo a O Antagonista, o juiz auxiliar Maria Paula Galhardo atendeu ao pedido do pré-candidato André Marinho (Novo), que denunciava propaganda eleitoral antecipada por parte de Paes utilizando inteligência artificial sem as devidas identificações exigidas pela legislação. A decisão da magistrada considera a publicação como uma clara tentativa de promoção política, enfatizando também o descumprimento das regras de transparência estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O vídeo em questão, que exibe Paes marcando um gol pela Seleção Brasileira com a camisa 55 e a legenda “Se todo mundo pode, eu também posso”, é visto como uma clara manobra para associar o petista à imagem de sucesso e popularidade. A ausência da identificação do uso de IA representa uma falha grave na transparência eleitoral, um ponto que já havia sido levantado pelo PSD no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O partido solicitou a remoção imediata dos vídeos produzidos por Marinho com críticas ao ex-prefeito.
A ação judicial movida pelo Partido Social Democrático (PSD) busca uma liminar para que as publicações sejam removidas, além da proibição de novas divulgações semelhantes. A gravidade do caso reside no conteúdo em si: o pré-candidato Marinho utiliza a IA para criar um vídeo caricatural onde Paes é retratado como “Eduardo Caos”, com acusações graves sobre sua conduta e caráter, incluindo descrições depreciativas de suas ações. O material ainda apresenta uma imagem do ex-prefeito abraçado à cantora Lady Gaga e um cartaz que o ridiculariza (“Estamos fazendo você de trouxa”).









