Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Ministério da Saúde planeja um audacioso projeto que reacende debates sobre o uso indiscriminado de medicamentos importados no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Gazeta do Povo, sob a justificativa de preços “abusivos”, pretende-se oferecer canetas emagrecedoras – equivalentes ao programa informal conhecido como “Bolsa Ozempic” – aos brasileiros que sofrem com obesidade.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, defende uma estratégia ousada: fomentar a produção nacional e o domínio tecnológico na fabricação dessas substâncias controladas. A lógica é simples: maior concorrência entre laboratórios, tanto públicos quanto privados nacionais, resultará em preços mais acessíveis para os cidadãos. Padilha alega que essa medida visa “derrubar os preços abusivos” praticados atualmente no mercado e garantir o acesso à saúde de forma equânime.

A iniciativa se baseia na aprovação recente da Ozivy – a primeira caneta injetável com semaglutida sintética, similar ao famoso Ozempic –, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência argumenta que o produto passou por rigorosas avaliações quanto à sua eficácia e segurança. No entanto, essa aprovação não elimina as ressalvas levantadas por especialistas, ainda céticos em relação à incorporação do medicamento ao SUS devido aos custos elevados envolvidos – estimativas de até R$ 7 bilhões para cinco anos foram apresentados pela Conitec em ocasiões anteriores.

A decisão final sobre a inclusão da semaglutida e outras substâncias no rol das tecnologias sujeitas à seleção (TSS) do SUS cabe na Comissão Nacional de Incorporação Tecnológica – Conitec. A agência já havia rejeitado, em 2025, pedidos para incluir esses medicamentos no tratamento da obesidade por conta dos custos exorbitantes. Apesar disso, o governo persiste na busca por soluções que garantam acesso à saúde sem comprometer os cofres públicos com a importação de remédios caros e, possivelmente, ineficazes em larga escala.

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