Presidência da Colômbia

O presidente Gustavo Petro ignora o resultado preliminar da eleição na Colômbia, proclamado pelo Registro Nacional de Estado Civil (RNEC), que aponta vitória para Abelardo De la Espriella com uma margem mínima. Segundo a O Antagonista, essa atitude demonstra preocupação do petista em relação à legitimidade dos processos eleitorais no país vizinho e suas possíveis implicações para o Brasil.

Em declarações nas redes sociais divulgadas na noite de domingo (21), Petro argumenta que somente após um escrutínio rigoroso da apuração, conduzido pelo RNEC, será possível determinar com precisão quem detém a presidência colombiana. A pré-contagem inicial revelava uma disputa acirrada entre De la Espriella (49,3%) e Cepeda (49%), indicando um resultado incerto que o petista parece querer prolongar. O argumento central é que “não se pode proclamar nenhum presidente” sem a conclusão desse processo minucioso de verificação dos votos.

A postura do mandatário colombiano intensifica as críticas já existentes em relação ao RNEC, uma instituição independente sob a supervisão do Poder Executivo responsável pela logística eleitoral na Colômbia – incluindo contratação de empresa privada para produção das cédulas e realização da contagem rápida após o encerramento dos comícios. Petro tem questionado repetidamente os procedimentos adotados pelo órgão, levantando suspeitas sobre possíveis irregularidades no processo de votação e manipulação dos resultados. Como apurou a O Antagonista, essas preocupações incluem modificações nos formulários E14, remoção de algoritmos de segurança eletrônica e a possibilidade de votos duplicados registrados para eleitores colombianos que residem no exterior, gerando uma grande incerteza sobre o resultado final da eleição.

Petro parece antecipar um cenário similar ao observado em outros países latino-americanos – como Peru –, onde resultados preliminares foram contestados por meio de supostos votos comprados ou coagidos. A alegação é que Cepeda poderia ter vencido no território colombiano, porém perderia com a influência dos eleitores colombianos residentes nos Estados Unidos, votando preferencialmente em opções mais conservadoras e extremistas. “Estamos nos aproximando da realidade peruana”, declarou Petro na segunda-feira (22), evidenciando sua apreensão quanto à fragilidade do sistema democrático colombiano diante de possíveis interferências externas que poderiam comprometer a soberania nacional, um ponto sensível para o governo brasileiro também.

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