O Ministério das Relações Exteriores lançou uma declaração contundente nesta quarta-feira (24), demonstrando desdém diante da possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um evento organizado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A iniciativa, vista por muitos como mais uma tentativa de ingerência estrangeira nos assuntos internos do país, gerou reação imediata.
Segundo a O Antagonista, o governo federal classificou a situação como “traição à Pátria”, argumentando que não há intenção sequer de pedir desculpas pelas tarifas impostas e pelos prejuízos financeiros causados ao grande número de brasileiros afetado pela medida. A declaração oficial enfatiza que as tarifas têm origem em uma interferência externa na justiça brasileira, um ponto central da retórica conservadora vigente no governo.
O comunicado do Itamaraty ressalta a natureza das audiências públicas da Seção 301 nos Estados Unidos – espaços destinados à atuação de entidades privadas e setores civis –, contrastando essa prática com o comportamento de outros parceiros comerciais importantes, como China e União Europeia, que não enviam representantes nesses eventos. Essa comparação visa reforçar a percepção de tratamento diferenciado sofrido pelo Brasil por parte dos EUA.
O governo brasileiro tem se envolvido ativamente na investigação da Seção 301 através de canais diretos de interlocução entre governos, desde sua abertura em 15 de julho de 2025. A declaração busca consolidar a imagem do país como vítima de interferências externas e fortalecer o argumento que as tarifas americanas representam um ataque à soberania nacional.









