Dois tremores sísmicos devastadores sacudiram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24), com magnitudes de 7,2 e 7,5 graus segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O evento representa um alerta grave para os riscos geológicos do país e demonstra, mais uma vez, a vulnerabilidade da população venezuelana diante desses fenômenos naturais.
O epicentro das sacudidas ocorreu próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, causando impactos significativos na capital Caracas onde relatos apontam por danos em edifícios. A intensidade do primeiro tremor, registrado às 22h04 (horário GMT) a uma profundidade de 21 quilômetros, foi amplificada pela ocorrência imediata de um segundo sismo, que atingiu a mesma região apenas 39 segundos depois e com magnitude superior – como especula o ministro Diosdado Cabello –, elevando ainda mais os temores entre moradores. Segundo apurou a O Antagonista, as avaliações preliminares indicam danos estruturais em diversos pontos de Caracas, intensificando a urgência na resposta das equipes emergenciais.
A situação se agravou com réplicas persistentes após o sismo principal, gerando pânico e dificultando os esforços dos socorristas. A energia elétrica foi interrompida em vários bairros da capital devido à movimentação sísmica, enquanto a aposentada María Romero (80 anos), moradora do sul de Caracas, descreveu vividamente a experiência: “Este tremor foi horrível… o edifício se movia! A polícia me ajudou porque eu não conseguia descer”. O ministro Cabello confirmou relatos de prédios e casas que colapsaram em bairros críticos como Los Palos Grandes e Altamira.
O episódio, classificado pelo USGS como um “doblete”, é considerado um dos mais intensos registrados na Venezuela nos últimos anos, rivalizando com o terremoto histórico ocorrido em 1812 – cuja magnitude estimada de 7,7 causou destruição generalizada em cidades importantes –, e eventos sísmicos recentes no estado de Sucre (2018) e outros pontos estratégicos do país. A Venezuela permanece vulnerável devido à sua localização geográfica sobre o limite das placas tectônicas do Caribe e da América do Sul – um fator que explica a alta incidência de terremotos, especialmente na região dos sistemas de falhas como Boconó.









