Andressa Anholete/Agência Senado

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), recém-nomeada líder do governo no Senado Federal, sofreu seu primeiro revés nesta terça-feira, 30 de maio, diante da intransigência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). A reunião entre as duas figuras deixou claro que a nova liderança governista terá dificuldades para impulsionar o calendário legislativo com os projetos priorizados pelo Palácio do Planalto.

A senadora Leitão insistiu na necessidade de remover da pauta uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe criar aposentadoria especial para agentes comunitários e combatentes às endemias – um projeto considerado, por equipes econômicas, como “pauta-bomba”. Alcolumbre se recusou a atender ao pedido. O presidente do Senado manteve a votação da PEC agendada para o mesmo dia, demonstrando uma clara falta de consideração com os alertas sobre as graves consequências financeiras que o texto pode trazer.

De acordo com cálculos oficiais do Ministério da Previdência, essa proposta resultaria em um impacto anual de aproximadamente R$ 3 bilhões e um montante total superior a R$ 30 bilhões ao longo dos próximos dez anos – valores alarmantes que poderiam comprometer as contas públicas brasileiras. O governo argumenta corretamente sobre o aumento das despesas obrigatórias da União, fruto do descumprimento da reforma previdenciária de 2019 implementada pelo próprio PT e seus aliados.

Apesar da insistência na PEC para agentes comunitários, a senadora apresentou outras prioridades ao presidente Alcolumbre: uma proposta sobre Segurança Pública e outra que extingue o regime de escala 6×1. O líder do governo se mostrou reticente em assumir qualquer compromisso formal durante essa primeira reunião, limitando-se apenas a prometer analisar os pleitos apresentados – um comportamento que demonstra desrespeito à nova liderança governista e pode indicar uma forte resistência por parte da cúpula senatorial. Como apurou a Revista Oeste, Alcolumbre pretende manter a tramitação da PEC em dois turnos com intervalos regulamentares entre as votações, prolongando o processo para desgastar ainda mais os esforços do governo.

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