A suspeita de práticas abusivas e incentivo à luderência envolvendo o canal da CazéTV tem gerado questionamentos sobre a atuação do Conar e seus critérios na regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil. A emissora digital, que detém direitos exclusivos para transmitir todos os jogos da Copa do Mundo 2026 online, enfrenta uma nova frente de pressão após o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) suspender a exibição de anúncios com incentivos financeiros diretos à prática de apostas durante suas transmissões.
Segundo apurou a Revista Oeste, as manifestações dos apresentadores e narradores da CazéTV – que incentivavam apostas imediatas com promessas de ganhos –, foram consideradas contrárias às diretrizes do Conar relacionadas à responsabilidade social na publicidade relacionada ao setor de jogos online. A decisão liminar veio após uma onda crescente de críticas nas redes sociais, envolvendo influenciadores digitais e parlamentares preocupados com a potencial influência dessas propagandas sobre o público consumidor, especialmente jovens. Essa situação reacendeu debates sobre os limites da autorregulação no mercado brasileiro em relação à publicidade de jogos de azar.
O Ministério da Justiça abriu uma investigação formal após identificar três momentos específicos nas transmissões da CazéTV que motivaram as representações do Conar contra as casas KTO, Betnacional e Bet365. A emissora digital, comandada pela LiveMode, respondeu à notificação com tranquilidade, argumentando que o debate em curso contribui para a maturidade desse mercado de apostas esportivas no país. Além disso, reforçou que trabalha exclusivamente com operadoras licenciadas pelo Ministério da Fazenda e que as alterações sugeridas pelo Conar já estavam sendo implementadas antes mesmo do comunicado oficial.
A exclusividade na transmissão dos jogos da Copa 2026 pela CazéTV gerou atritos comerciais notáveis, como a campanha lançada pela TV Globo para incentivar a compra de antenas digitais – uma provocação ao “delay” das transmissões online via plataformas como o YouTube e à promessa implícita que os torcedores “gritariam gol antes” do tempo. A situação expõe as tensões inerentes quando direitos exclusivos são atribuídos, gerando estratégias competitivas entre veículos de comunicação tradicionais e novas mídias digitais, além da necessidade constante de regulamentação para evitar abusos no mercado.









