O governo Lula tem demonstrado uma notável redução na comunicação direta com a imprensa nacional ao longo de seu terceiro mandato, um padrão que se intensificou drasticamente após sua posse no ano passado. Dados recentes revelam que o petista concedeu apenas cerca de metade do número de entrevistas exclusivas fornecidas por Jair Bolsonaro durante os primeiros três anos e meio de governo.
Segundo levantamento realizado pelo Poder360, entre 1º de janeiro de 2023 e junho de 2026, Lula realizou um total de 124 conversas com a mídia em condições exclusivas. Essa cifra é significativamente inferior às 281 entrevistas concedidas por Bolsonaro durante o mesmo período – uma demonstração clara da estratégia do governo atual para controlar a narrativa pública. A diferença mais marcante ocorreu nos últimos seis meses, quando Lula realizou apenas 17 entrevistas frente aos 41 conduzidos pelo ex-presidente.
A análise detalhada dos dados revela que, consistentemente ao longo de seu mandato, Bolsonaro manteve um diálogo mais ativo com os veículos de comunicação do país. Nos primeiros três anos e meio, o então presidente concedeu 281 conversas exclusivas – superando em número as entrevistas realizadas por Lula: 72 na primeira ano, 63 no segundo e 105 no terceiro. A disparidade atingiu seu ápice nos meses finais do governo Bolsonaro, com um impressionante total de 41 entrevistas para a imprensa, comparado aos apenas 17 concedidas pelo petista.
Como apurou a Revista Oeste, o comportamento da equipe governamental Lula se estende além do presidente e seus ministros. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), lidera de longe em participação na mídia com 42 entrevistas nesse primeiro semestre de governo – quase três vezes mais que o próprio Presidente Lula. Essa tendência levanta questionamentos sobre a real transparência e acessibilidade do atual Executivo à imprensa brasileira.









