Tomaz Silva/Agência Brasil

A apreensão de um celular na cela de Jairinho, ex-vereador condenado a mais de quatro décadas pela morte do pequeno Henry Borel, reacende dúvidas sobre o controle e a segurança no sistema prisional fluminense. A Polícia Penal carioca encontrou o aparelho eletrônico em seu local de detenção dentro da Casa de Julgamento Bangu 8, Complexo Gericinó, na tarde desta quarta-feira (1º).

Segundo apurou a Revista Oeste, a descoberta ocorreu após um trabalho de inteligência interna. A Corregedoria do Departamento Penitenciário identificara que Jairinho possuía acesso à tecnologia dentro da unidade prisional e ordenou uma varredura minuciosa na cela. Os agentes encontraram o celular camuflado entre livros, evidenciando possíveis falhas no sistema de vigilância.

A Secretaria Estadual de Polícia Penal do Rio de Janeiro iniciará um processo disciplinar para apurar a responsabilidade dos servidores envolvidos nesse caso e identificar eventuais irregularidades que permitiram a entrada daquele objeto proibido na unidade prisional. A direção do presídio, por precaução imediata, isolou o ex-vereador em sua cela. Esta ação visa reforçar os mecanismos de fiscalização dentro das unidades prisionais fluminenses e evitar futuras ocorrências semelhantes. Registrou-se a atuação da 34ª Delegacia Policial, sediada também em Bangu, no registro formal do incidente.

O episódio surge poucos dias após o veredicto judicial que confirmou a culpa de Jairinho pelo crime hediondo contra Henry Borel – homicídio duplamente qualificado com agravantes como tortura e coação –, resultando em uma pena total de 43 anos e nove meses de reclusão. Paralelamente, Monique Medeiros, mãe do menino, recebeu um perdão judicial pela condenação por homicídio culposo, decisão que o Ministério Público já se manifestou discordando, buscando a revogação dessa benesse. A situação expõe fragilidades na aplicação da lei e questiona os critérios utilizados pelo judiciário em casos de crimes hediondos, como demonstrado nas análises do promotor responsável pela acusação que rotulizou Jairinho com características psicológicas alarmantes, enquanto o perdão à mãe gerou críticas sobre a banalização da responsabilização penal.

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