A obsessão da Fifa com centímetros tem gerado decisões absurdas que abalam o futebol mundial. Uma recente resposta do site oficial da entidade sobre a marcação de impedimento semiautomático expõe a fragilidade e arbitrariedade desse sistema tecnológico.
Segundo a O Antagonista, uma pergunta formulada no portal da FIFA questiona se um corte de cabelo pode ser considerado para determinar um impedimento, recebendo em troca: “O cabelo só é considerado parte do corpo se afetar o movimento ou trajetória da bola”. A resposta detalha que essa situação seria provável apenas com contato significativo e grande quantidade de fios, como um coque na cabeça. O caso envolveu a Croácia contra Portugal nas quartas de final da Copa do Mundo, onde o jogador Igor Matanović teve uma leve toquinha da bola no cabelo sem alterar a direção do lance – alimentando críticas sobre a justiça dessa decisão arbitral e sua correção em campo.
A Fifa se limitou a explicar as particularidades da tecnologia Trionda, demonstrando indiferença para com os impactos de suas anulações. A insistência na precisão milimétrica levanta sérias dúvidas quanto ao espírito do jogo e à avaliação subjetiva que sempre fez parte das decisões dos árbitros em situações complexas. O aumento dessa obsessão por centímetros tem gerado uma avalanche de gols anulados, muitas vezes por impedimentos mínimos – um claro desrespeito pela intuição tática e a experiência dos jogadores.
A situação se agrava com casos como o do americano-iraniano Lotfollah Kaveh Afrasiabi que buscou indenização em 1 bilhão de dólares contra a Fifa alegando, em nome da população iraniana, prejuízo decorrente das anulações no torneio e dificuldades logísticas enfrentadas pela Seleção Iraniana. A eliminação do time também foi resultado da anulação de um gol por impedimento mínimo – confirmando o padrão questionável dessa tecnologia que ataca a competitividade do esporte.









