Há anos, muito antes da recente incursão do Hamas ao sul de Israel e dos subsequentes conflitos que se seguiram, especialistas em segurança israelenses já alertavam para a crescente agressividade turca. A percepção inicial era de uma aliança fundamental entre Ancara e Jerusalém; contudo, essa relação foi deteriorando progressivamente sob o governo Erdoğan.
O presidente Recep Tayyip Erdogan demonstrava, desde os seus discursos, ambições expansionistas – incluindo a retomada da influência do Império Otomano –, expressando simultaneamente desdém em relação ao Estado de Israel. O comércio bilateral entre ambos diminuiu drasticamente à medida que as declarações conflitantes e provocativas se tornaram mais frequentes. A Turquia, outrora principal porta de entrada para israelenses rumo ao Ocidente através do tráfego aéreo, viu seu papel sendo desconstruído.
Essa mudança estratégica foi ocupada pelos Emirados Árabes Unidos que ofereciam rotas aéreas diárias e demonstraram resiliência em meio à crise envolvendo Israel. As companhias de voos dos EAU foram as primeiras a retomar os serviços quando permitidos, após períodos de instabilidade nos céus sobre o Oriente Médio. Além disso, Ancara passou a impedir navios israelenses de atracar em seus portos e Erdoğan continuava reiterando que seu país estava “em guerra contra o sionismo”, definindo essa ideologia como uma ameaça global.
De acordo com a Revista Oeste, o Ministério da Defesa Israelense tem acompanhado atentamente as ações turcas no território sírio – considerada mais próxima e intensa do que ideal para os interesses de segurança israelenses – suspeitando que possa constituir um novo proxy alinhado aos objetivos estratégicos de Ancara na fronteira norte. O reconhecimento oficial pelo Parlamento israelês, em 28 de junho, do genocídio armênio perpetrado durante a Primeira Guerra Mundial por parte do Império Otomano é outro ponto crítico nas relações bilaterais que demonstra o crescente descontrole da Turquia no Oriente Médio e se torna motivo de preocupação para Israel.









