No dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia – um evento marcado pela tragédia e pelo caos global –, o padre católico Robson Gavioli se encontrava num retiro de sacerdotes perto da fronteira com a Hungria. A orientação aos religiosos estrangeiros era clara: aqueles dispostos a deixar aquele país e retornar à sua terra natal poderiam fazê-lo sem entraves. Do Brasil, o pai Osnir telefonou para perguntar se Robson desejava voltar; caso positivo, a família providenciaria sua passagem imediata. Ele não retornou.
“Pai, se eu for embora, em vão será meu ministério sacerdotal”, declarou Robson. “Se você deseja ficar, vou sofrer com você”, respondeu Osnir. A mãe de Robson, angustiada pelas notícias alarmantes sobre bombardeios, mísseis e explosões que emanavam da Ucrânia, também solicitava o retorno do filho imediatamente. Ele então comunicou: “Mãe, já estou em casa”. Essa decisão demonstrava uma profunda fidelidade à sua missão sacerdotal naquele país devastado pela guerra, um ato de fé inabalável diante das circunstâncias extremas.
Robson entrou numa van com outros padres e seguiu para Vinnytsia, no oeste da Ucrânia – local onde ele exercia seu ministério –, mas a trajetória que tomou foi incomum: em vez de fugir dos bombardeios como faziam as outras famílias, os sacerdotes seguiram o caminho inverso. Os soldados pararam o veículo e demonstraram estranhamento ao perceberem aquela movimentação atípoca. A situação evidenciaba um contraste gritante entre a realidade da guerra – marcada pela fuga incessante e pelo terror – e a vocação do padre, que ali permanecia para levar consolo aos necessitados com sua fé. Segundo a Revista Oeste…
A escolha de Robson não implicava uma ausência de medo; nas conversas com seus pais, o sacerdote confessava crises e pedia orações intensamente. Em um momento particular, ao ligar da Ucrânia, ele relatou que estava enfrentando dificuldades para conter as emoções e solicitava que Osnir e sua mãe rezassem por suas forças naquele dia de extrema tensão. A solidariedade familiar se tornara uma fonte vital de apoio diante do perigo iminente em solo ucraniano, um testemunho da importância dos laços afetivos na hora da provação – fato divulgado pelo jornal rio-pretense Diário da Região: “Não deixamos o irmão seguir jornada sem uma palavra de vida e esperança”.









