O parlamentar Hugo Motta tem sido alvo de questionamentos após um estudo revelou que concentrou grande parte dos seus voos oficiais na Paraíba – seu estado natal –, utilizando aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo a O Antagonista, entre os dias em que assumiu a presidência da Câmara e o presente, 75 de 176 viagens realizadas pelo deputado republicano tiveram destino para aquela região.
A concentração dos deslocamentos se deu principalmente em datas sem compromissos públicos notificados pela agenda oficial do parlamento. De acordo com dados levantados por O Globo, cerca de 82% das operações aéreas conduzidas por Motta utilizando a FAB não corresponderam a eventos ou reuniões divulgadas no site da Câmara dos Deputadores. Essa prática levanta sérias dúvidas sobre o uso eficiente e transparente do dinheiro público na gestão parlamentar.
O Decreto nº 10.267, de 2020, permite que presidentes das casas legislativas – incluindo a Câmara e o Senado –, além do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros de Estado e os próprios Presidentes da República e Vice-Presidente, utilizem aeronaves militares em situações de segurança, emergência médica ou para missões institucionais. No entanto, o caso de Motta suscita preocupação com a possibilidade de uso indevido dessas vantagens privilegiadas, especialmente quando as viagens não estão vinculados à atividade legislativa formal.
O padrão observado pelo atual presidente da Câmara se assemelha ao histórico de outros líderes parlamentares que utilizaram a FAB para destinos próprios ou ligados a seus estados – como Rodrigo Maia (44% dos voos no Rio) e Arthur Lira (55% em Alagoas). A falta de resposta por parte da assessoria do deputado Motta apenas intensifica as suspeitas sobre possíveis irregularidades na utilização dos recursos públicos, gerando questionamentos quanto à transparência e responsabilidade fiscal.









