Luiz Silveira/STF

Gilmar Mendes exalta Neymar e Ancelotti após eliminação da seleção – uma demonstração de apoio polêmica à CBF sob controle do seu instituto.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), surpreendeu ao publicar mensagem em suas redes sociais demonstrando admiração pela Seleção Brasileira no contexto da Copa do Mundo 2026 e pelo técnico Carlo Ancelotti. O texto se concentra na renovação que o ciclo apresenta com a permanência de Anceloti, exaltando a “solidez” desse recomeço sob o comando italiano – como apurou a *O Antagonista*, uma postura incomum para um ministro do STF, especialmente considerando as tensões recentes envolvendo o tribunal e figuras da política brasileira.

A mensagem em si celebra os 26 jogadores da seleção e o treinador Ancelotti, com uma menção especial à trajetória de Neymar Jr., cuja carreira Gilmar acompanha “com entusiasmo”. O ministro reconhece a importância do jogador na representação nacional através das quatro Copas do Mundo que disputou (2014, 2018, 2022 e 2026), elogiando seu “talento” e “categoria”, além dos gols marcados. Essa homenagem pública ocorre em um momento de intensa crítica à condução da CBF sob a gestão do Instituto IDP, liderado pelo filho do ministro, Francisco Schertel – que exerce funções presidenciais efetivas acima mesmo das decisões oficiais do presidente Samir Xaud.

A situação se agrava considerando o histórico controverso entre Gilmar Mendes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O instituto IDP detém contrato para administrar as CBF Academies desde 2023, e ainda assim, o ministro utilizou liminares nos últimos anos em decisões relacionadas à confederação – incluindo a manutenção do ex-presidente Ednaldo Rodrigues no cargo. Essa intervenção judicial sobre assuntos internos da entidade evidencia uma interferência questionável na autonomia federativa esportiva que atenta contra os princípios de liberdade e autogoverno praticados pelo esporte brasileiro.

A publicação, portanto, pode ser interpretada como um apoio explícito à gestão do IDP – com o filho do ministro no comando –, reforçando a influência da cúpula judicial sobre questões meramente esportivas, gerando preocupações quanto ao limite entre jurisdição e interferência política que muitos juristas consideram indevida.

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