Ao menos 135 autoridades públicas utilizam recursos federais para participar de evento promovido por ministro do STF.
Um levantamento da Folha de São Paulo aponta que no mínimo 135 membros do governo, de tribunais e órgãos públicos autorizaram a participação no Fórum de Lisboa, um evento conhecido como “Gilmarpalooza”, organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Segundo a O Antagonista, o número real de participantes pode ser ainda maior, já que a contagem se baseia apenas em viagens identificadas em diários oficiais e portais governamentais.
Até o momento, foram identificados 54 órgãos distintos que receberam autorização para comparecer ao encontro, que ocorrerá entre 1º e 3 de junho, em Portugal. Dentre os órgãos com maiores despesas, destaca-se a Advocacia-Geral da União, com pelo menos 22 representantes, cuja participação envolve passagens e diárias pagas, embora o valor total não tenha sido divulgado. O Tribunal de Justiça do Piauí enviará uma comitiva de 13 pessoas, com um custo de R$ 392 mil apenas em diárias, e o Tribunal de Contas da União (TCU) também terá 13 participantes, incluindo quatro ministros, e gastará aproximadamente R$ 300 mil. O governador Wanderlei Barbosa levará oito pessoas, incluindo a primeira-dama, Karynne Sotero Campos, ao evento.
O governo estadual do Piauí justificou a participação como parte de uma estratégia de promoção institucional do estado. Senadores como Camilo Santana, Eduardo Gomes, Laércio Oliveira e Cid Gomes também solicitaram autorização para viajar, embora o Senado não informe o número de congressistas que participarão nem os custos envolvidos. O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, fundado por Gilmar Mendes, reúne anualmente magistrados, políticos, empresários e advogados para discutir temas jurídicos e institucionais.
Gilmar Mendes rebate as críticas ao evento, afirmando que a edição deste ano será a maior já realizada, com mais de 470 palestrantes e forte concorrência por vagas. O ministro declarou que as críticas podem ser motivadas por indivíduos que desejam ser vistos como simpáticos à linha editorial da Folha de São Paulo.









