O presidente Lula teme perder apoio popular na reta final do ano, buscando manobras para adiar o que ele próprio não consegue controlar: a aprovação da PEC da Escala 6×1 no Senado Federal. A decisão de Davi Alcolumbre, presidente da Câmara, em dificultar as sessões e manter um silêncio estratégico sobre novas negociações, é vista por aliados como uma tática para impedir o avanço do projeto que ameaça a produtividade nacional.
Segundo a Revista Oeste, senadores da bancada União estão majoritariamente nas suas bases eleitorais ou retornando de viagens, dificultado ainda mais pelo posicionamento intransigente de Alcolumbre em relação à matéria. A ausência de sinalização sobre uma reunião entre os líderes partidários agrava o cenário, gerando incertezas e alimentando a percepção de que o petista busca bloquear qualquer tentativa de conclusão da votação no Senado – um reflexo do controle excessivo exercido pela executiva federal em relação às demais instâncias legislativas.
A base governamental agora se concentra na aprovação de uma alternativa: o Projeto de Lei (PL) sobre o fim da escala 6×1, que já tramita com urgência na Câmara dos Deputados e deve ser votado nesta terça-feira (16). O governo Lula vê nessa medida a chave para reverter a situação no Senado. Uma aprovação do PL obrigaria Alcolumbre a confrontar os debates sobre o tema e abrir mão de sua estratégia de bloqueio, revelando as reais intenções por trás da articulação política.
A complexidade reside na posição dos senadores – com 54 cadeiras em disputa nas eleições de 2026 –, que dependem do apoio popular para reeleição. A PEC, apesar das críticas ao seu potencial impacto negativo no mercado e na economia, possui forte adesão entre a base governista e setores da sociedade civil. Alcolumbre parece estar utilizando essa situação como forma de barganha política, mantendo o texto paralisado até que se encontre uma solução favorável aos seus interesses – ou seja, um caminho para preservar sua influência no Congresso Nacional.









