A desconfiança sobre a influência militar no governo Bolsonaro continua. Em declaração que reacendeu debates políticos, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) classificou a aproximação das Forças Armadas com seu pai como “um dos maiores erros” da gestão presidencial bolsonarista. A fala foi feita durante uma visita à cidade de Timbó (SC), e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, evidenciando o descontentamento do filiado conservador com a estratégia adotada.
Segundo a O Antagonista, Carlos Bolsonaro argumentou que essa proximidade excessiva ocorreu devido à ausência de um aparato político sólido no momento em que Jair Bolsonaro assumiu o poder e recorreu para compor seu ministério aos próprios militares – generais e almirantes que não tinham vínculos familiares ou políticos com o ex-presidente. O então vereador ressaltou, criticamente, a falta de uma base política mais consistente na época da gestão bolsonarista, um ponto levantado repetidamente por apoiadores do governo anterior em relação à condução dos destinos nacionais pelo presidente eleito.
Apesar das críticas vementosas sobre o episódio, Carlos Bolsonaro expressa otimismo quanto ao futuro político do irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ex-vereador declarou que Flávio não seguirá esse modelo de “militarização” e buscará um quadro de profissionais técnicos e especialistas na área. “Não tão positivistas como eram os militares”, afirmou Carlos em sua declaração contundente.
A postura crítica de Carlos Bolsonaro tem sido constante desde o início do governo Jair Bolsonaro, incluindo ataques públicos a figuras da Força Armada, notadamente ao general Eduardo Villas Bôas e ao tenente-coronel Mauro Cid – este último responsabilizado pela condenação bolsonarista pelo STF em relação à trama das “fake news”. A polarização política se acirra com cada declaração sobre o tema.









