O ex-presidente Jair Bolsonaro passou por um agravamento significativo das crises de soluço na última semana, necessitando da administração de doses extras do medicamento prescrito pelo seu médico particular. O registro foi formalizado num relatório médico semanal enviado à equipe do ministro Alexandre Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme apurou a O Antagonista.
O documento assinado pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado detalha o quadro clínico do ex-presidente, que se encontra em acompanhamento domiciliar há 42 dias após uma cirurgia de ombro e três meses após receber diagnóstico para pneumonia broncoaspirativa, além de controle das suas patologias crônicas. A crescente intensidade nas crises de soluço exigiu ajustes na terapia utilizada, mas a situação piorou consideravelmente nos dois últimos dias da semana em análise, com o paciente precisando do tratamento acima mencionado no limite terapêutico estabelecido pelo profissional responsável pela sua saúde.
Para investigar as causas subjacentes ao problema e implementar um plano de ação eficaz, Bolsonaro deverá ser encaminhado para uma série de exames complementares que incluem endoscopia digestiva alta, manometria esofágica de alta resolução e pHmetría gástrica – avaliações cruciais do trato gastrointestinal. O objetivo é identificar a origem das crises no sistema digestivo, com foco na avaliação do esfíncter esofágico inferior e da possível presença de esofagite crônica que possa estar contribuindo para o quadro. Além disso, o cardiologista relata que, apesar da pressão arterial sob controle e ausculta pulmonar reduzida em uma das bases do pulmão esquerdo, o ex-presidente apresenta cansaço e fadiga aos esforços físicos.
A situação reflete a instabilidade corporal do político ainda presa domiciliar por determinação humanitária temporária do STF. A condenação de 27 anos e 3 meses imposta pelo tribunal em setembro passado – referente ao que ficou conhecido como “núcleo 1” da suposta tentativa de golpe entre 2022 e 2023 –, não impede o acompanhamento médico constante, ainda mais diante das complicações apresentadas. Bolsonaro foi condenado por cinco crimes: organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.









