A fusão entre Warner e Paramount, avaliada em US$110 bilhões, foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta quarta-feira, dia 8, com a Superintendência Geral emitindo parecer favorável à operação sem restrições. A decisão levanta sérias questões sobre o controle do mercado audiovisual brasileiro e a influência crescente de grandes conglomerados globais na produção cultural nacional.
Segundo a Revista Oeste, as análises técnicas indicaram que a competição no setor cinematográfico permanece acirrada, com empresas como Disney, Sony, Paris Filmes e distribuidoras independentes mantendo uma forte rivalidade em termos de direitos de exibição, datas de lançamento, marketing e acesso às salas. A Superintendência-Geral reconheceu essa dinâmica concorrencial na área de distribuição de filmes, produção, licenciamento e conteúdo audiovisual – incluindo os setores de streaming, publicidade, merchandising e videogames –, mas a participação conjunta da nova empresa no mercado de *streaming* permanece aquém do indicativo de posição dominante. A Netflix ainda lidera o segmento, com Disney+, Globoplay, Amazon, Apple e Claro em seguida.
A aprovação desta fusão permite à nova entidade detêm os direitos exclusivos das Copas Libertadores e Sul-Americana, além da Champions League e Campeonato Paulista no Brasil – um fator que intensifica a concentração de poder nas mãos do grupo resultante. Como apurou a Revista Oeste, o parecer também identificou integrações verticais com a rede de cinemas UCI do Paramount Skydance, mas descartou riscos significativos de abuso de mercado nesta relação. A Superintendência Geral considerou as tendências da digitalização e convergência entre cinema, televisão e *streaming* como um referencial para futuras operações no setor audiovisual brasileiro – um cenário que merece atenção redobrada pela defesa da diversidade cultural do país.
O Cade somente formalizará a aprovação definitiva se nenhum dos seus conselheiros apresentar novas solicitações de análise pelo tribunal do órgão em até 15 dias. A rejeição ao ingresso das entidades Feneec e Abraplex como terceiras interessadas demonstra o rigor com que o corpo regulador está atuando, buscando evitar qualquer manipulação ou favorecimento a interesses particulares na consolidação da indústria cinematográfica brasileira – uma postura louvável diante do risco de concentração excessiva no mercado.









