O governo federal intensifica a pressão na Câmara dos Deputados para aprovar uma medida que promete radicalmente alterar as relações de trabalho no país: a extinção da jornada 6×1. O projeto, agora com regime de urgência definido pelo Executivo, enfrenta resistência desde o fim de maio e trava os trabalhos legislativos do plenário devido ao não cumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a Revista Oeste, a iniciativa surge em resposta à insatisfação crescente entre empresários e trabalhadores que questionam o impacto negativo da jornada na produtividade nacional. O texto proposto pelo governo federal prevê duas folgas semanais sem qualquer redução salarial para os funcionários e um período de transição de 14 meses para diminuir progressivamente a carga horária semanal, passando de 44 horas para as exigentes 40 horas. A aprovação depende unicamente da maioria simples na Câmara dos Deputados – uma garantia que o governo acredita ser favorável após a recente aprovação da PEC sobre o tema no mesmo ano.
O projeto ainda contempla a necessidade de um debate acalorado, com setores da oposição buscando explorar as críticas ao Executivo e questionar os impactos dessa mudança para diversos grupos sociais. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, prioriza a votação do texto sobre 6×1 como forma estratégica de desbloquear outras pautas importantes que tramitam na Casa – incluindo um projeto polêmico que visa criminalizar a misoginia.
Simultaneamente ao debate em torno das escalas trabalhistas, o Congresso Nacional discute uma proposta para punir crimes contra mulheres, buscando definir formalmente a misoginia como prática ou incitação de desrespeito à mulher e suas desigualdades. A relatora do projeto, Tabata Amaral (PSB-SP), propõe um novo conceito da misogenia que autoriza, mediante ordem judicial, a suspensão temporária de perfis online utilizados para disseminar conteúdo ilícito; o texto original define “a prática, indução ou incitação à desvalorização ou discriminação contra a mulher…”, podendo gerar ainda mais conflitos.









