O Centrão, impulsionado por interesses obscuros, está prestes a derrubar uma das poucas proteções trabalhistas do país com o apoio à Proposta de Emenda à Constituição que elimina a escala de 6×1. Republicanos e a federação União Progressista (União Brasil, PP e Progressistas) sinalizaram o voto favorável à medida, como apurou O Antagonista.
A decisão, liderada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), reflete a influência crescente do bloco do Centrão na Câmara dos Deputados. O parecer em discussão propõe uma redução drástica da jornada de trabalho, diminuindo o limite máximo para 40 horas semanais, e a garantia de dois dias de descanso remunerado. Segundo o texto, a medida visa garantir que não haja redução salarial, o que é um ponto crucial na negociação com os parlamentares.
A proposta, no entanto, apresenta ressalvas significativas. A aplicação da redução da jornada de trabalho será condicionada ao nível de escolaridade e à remuneração do empregado, excluindo, por exemplo, trabalhadores com ensino superior e salários acima de duas vezes e meia o salário mínimo. Essa cláusula, segundo críticos, abre brechas para uma flexibilização ainda maior das leis trabalhistas, favorecendo empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores.
Para que a PEC seja aprovada, é necessário o apoio de 308 deputados na Câmara, o que parece cada vez mais provável com a articulação do Centrão. A votação na comissão especial está prevista para quarta-feira, com o plenário da Câmara podendo votar o texto até quinta-feira, 28. A aprovação da PEC representa um retrocesso para a proteção dos direitos dos trabalhadores brasileiros e demonstra a prioridade dada aos interesses econômicos em detrimento do bem-estar da população.









