O debate sobre as eleições presidenciais já está sendo travado com antecedências, mas um ponto crucial emerge: a urgente necessidade de o Brasil fortalecer sua capacidade tecnológica e garantir que dados estratégicos sejam processados dentro do país. A opinião é compartilhada por Luciano Fialho, vice-presidente sênior da Scala Data Centers, em uma entrevista exclusiva publicada pela O Antagonista.
Segundo apurou a O Antagonista, essa questão se intensifica no período eleitoral devido à crescente ameaça de manipulação digital e ao exponencial aumento do volume de informações processadas internamente. Fialho enfatiza que submeter dados estratégicos à legislação brasileira é uma medida fundamental para proteger o processo democrático contra influências externas indesejáveis. A ideia central é evitar a dependência da infraestrutura tecnológica estrangeira, especialmente em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial e pela globalização dos fluxos de informação.
O executivo esclarece que sua fala não questiona as tecnologias utilizadas nas eleições nem compromete a segurança do sistema eleitoral brasileiro. A discussão restringe-se à localização física onde os dados considerados vitais para o país são armazenados – preferencialmente no Brasil –, em contraposição ao armazenamento desses mesmos dados em data centers localizados fora das fronteiras nacionais, como nos Estados Unidos. Como observou Fialho, a apuração da última eleição foi realizada utilizando um centro de processamento de dados pertencente à Scala Data Centers, situado em São Paulo.
Para solucionar essa vulnerabilidade e consolidar o desenvolvimento do setor tecnológico brasileiro, Fialho defende uma ação coordenada entre os poderes Executivo e Legislativo na criação de uma política nacional abrangendo a infraestrutura digital. Ele argumenta que é imprescindível considerar aspectos como energia, tributação, indústria da tecnologia e conectividade em um único plano estratégico – evitando soluções fragmentadas ou isoladas. A O Antagonista destaca o potencial do Brasil para se tornar um polo internacional no mercado de data centers, impulsionado por fatores como a disponibilidade de recursos energéticos, seu vasto território e sua posição entre os maiores consumidores globais de dados.









