A delação de Daniel Vorcaro sugere um financiamento cinematográfico lícito do filme Dark Horse, que celebra a trajetória de Jair Bolsonaro, desfazendo o clima gerado por questionamentos sobre possíveis irregularidades.
Segundo a Revista Oeste, as gravações divulgadas pelo The Intercept revelam que Vorcaro transferiu R$ 60 milhões para a produção do longa-metragem sem qualquer indicação de contrapartida envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ex-banqueiro alega ter seguido uma relação transparente e republicana, assegurando que o valor foi destinado exclusivamente à realização da obra. Flavio Bolsonaro confirmou em entrevista à GloboNews que os recursos foram repassados através do fundo de um advogado contratado para cuidar das finanças da produção cinematográfica.
A repercussão negativa dos áudios se manifesta em dados recentes, evidenciando a influência no desempenho eleitoral do senador Flávio. Uma pesquisa Atlas/Intel divulgada em 19 de maio apontava uma queda significativa nas intenções de voto do parlamentar – perda de seis pontos percentuais frente ao presidente Lula (48,9% contra 41,8%). O instituto incorporou os áudios da conversa entre Vorcaro e Flávio para avaliar a percepção pública.
A intervenção judicial em resposta à pesquisa Atlas/Intel demonstra preocupação com possíveis manipulações nos dados. Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), derrubou o levantamento após identificar indícios de “contaminação” e extrapolamentos além dos limites estatísticos permitidos pela legislação eleitoral. O ministro analisou 27 pesquisas anteriores realizadas pelo mesmo instituto, constando que nenhuma utilizava arquivos sonoros ou perguntas similares àquela da Atlas/Intel, ressaltando a necessidade de rigor na aferição das intenções do eleitorado e protegendo o processo democrático contra possíveis manipulações.









