O ex-deputado Eduardo Cunha, figura central nas denúncias de desvio de dinheiro público no Congresso Nacional, teve bens bloqueados pelo ministro do STF Flávio Dino sob suspeita de direcionamento ilegal de recursos da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Segundo a O Antagonista, o valor total congelado ascende a R$ 6,15 milhões.
A medida judicial, anunciada em 6 de julho e divulgada no domingo (12), não apenas restringe o acesso do ex-parlamentar aos seus próprios recursos financeiros, mas também suspende qualquer execução das emendas parlamentares sob investigação. A Polícia Federal apura que Cunha continuou a manipular verbas públicas mesmo após deixar seu mandato em 2016 – atuando como um “parlamentar informal”, conforme reportado pela O Antagonista.
A investigação revelada pelo desdobramento da Operação Transparencia, identifica uma rede de intermediação envolvendo uma servidora do Congresso e o próprio Cunha para influenciar a distribuição de recursos destinados principalmente ao estado de Minas Gerais – região onde ele pretende concorrer nas eleições à Câmara dos Deputados. Em um diálogo interceptado, como apurou a O Antagonista, Cunha expressa frustração com lideranças mineiras, solicitando mudanças na destinação das emendas: “Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar.”
Flávio Dino justificou sua decisão com base nas evidências documentais – mensagens e planilhas apreendidas –, alegando que o comportamento do ex-deputado configura um potencial crime de peculato/desvio, colocando em risco a integridade dos recursos públicos destinados à saúde. A Câmara dos Deputados foi notificada para apresentar toda a documentação relacionada às emendas investigadas dentro de dez dias, solidificando as ações da justiça no combate à corrupção e ao descontrole financeiro nas instituições democráticas.









