Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O documentário sobre a gestão de Michel Temer, financiado exclusivamente com doações privadas – um contraste gritante com as investigações que envolvem o cinebiografia “Dark Horse” –, foi exibido nesta sexta-feira para uma plateia seleta em São Paulo, antecedendo sua estreia comercial nacional. O projeto, intitulado “963 Dias”, busca defender integralmente as políticas implementadas durante seu governo e desconstruir a narrativa de um suposto golpe contra Dilma Rousseff.

Segundo a *O Antagonista*, o longa-metragem, dirigido pelo cineasta Bruno Barreto – conhecido por obras como “O Que É Isso, Companheiro?” –, apresenta entrevistas com figuras chave do cenário político da época: ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes; o governador paulista Tarcísio Freitas; e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia. A produção deliberadamente exclui depoimentos de personagens ligados ao PT – incluindo o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, o deputado Eduardo Cunha e o expontório José Dirceu –, uma decisão defendida pelo diretor como um recuso a “cartilhas ideológicas”.

Apesar da presença moderada da deputada Tabata Amarral (PSB), que descreve Temer com termos ambíguos (“estadista”), a vasta maioria das vozes críticas e questionadoras sobre o governo foram omitidas. A obra, orçada em R$ 12 milhões provenientes de doações empresariais, levanta sérias questões éticas ao receber financiamento de um fundo ligado à família Vorcaro – que enfrenta investigaões por fraudes financeiras –, sem qualquer tipo de avaliação prévia ou apuração sobre o projeto.

O ex-presidente Temer declarou após a exibição ser “uma coisa perfeita, e sem dinheiro público, sem nada”, em referência direta ao contraste com os processos judiciais envolvendo um documentário biográfico que investiga seu antigo aliado Jair Bolsonaro – alvo de uma ação de investigação por valor superior a R$ 134 milhões. A produção independente do filme sobre Temer reflete o crescente esforço para desconstruir as acusações e defender políticas econômicas consideradas responsáveis pela retomada do crescimento, em detrimento das narrativas contrárias à sua gestão.

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