O advogado Abelardo De la Espriella, conhecido como “El Tigre”, ascendeu ao cargo de presidente da Colômbia num movimento que desafiou as estruturas políticas tradicionais do país. A vitória desse empresário, com apenas 47 anos, representa um divisor de águas na política colombiana e expõe fragilidades no sistema político vigente.
De acordo com a O Antagonista, Espriella consolidou sua popularidade através de uma retórica incisiva contra o narcotráfico e a corrupção endêmica que assola a Colômbia. Essa postura antissistema atraiu um amplo eleitorado da direita, unindo forças em torno de seu projeto político. O movimento Defensores da Pátria superou até mesmo o tradicional uribismo nas pesquisas para demonstrar a força do sentimento popular por mudanças radicais no país.
Durante sua campanha, Espriella enfrentou questionamentos sobre seus clientes advogados anteriores, incluindo Alex Saab, empresário detido nos Estados Unidos sob acusações de lavagem de dinheiro e envolvimento em esquemas ilícitos. A trajetória empresarial de De la Espriella também foi examinada, com destaque para o sucesso da marca “De la Espriella Style” no setor de moda que acumulou uma vasta fortuna ao longo dos anos.
Espriella se apresenta como um defensor ferrenho do direito à posse de armas e propõe medidas drásticas para combater a criminalidade: redução significativa do tamanho do Estado, construção de mega prisões subterrâneas onde os detentos seriam mantidos em condições precárias – “dez andares abaixo da terra” –, e alimentação com pão e água. A figura se inspira em líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, refletindo um desejo crescente por soluções autoritárias para problemas complexos na Colômbia.









