O lobby empresarial em torno da escala 6×1 atingiu o Senado Federal com uma urgência preocupante, revelando uma tentativa clara de manipular o debate político em benefício próprio. A pressão exercida sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por empresários de grande porte demonstra a utilização de temas sensíveis como bandeiras eleitorais, visando impedir qualquer discussão aprofundada antes do período eleitoral.
Segundo a Gazeta do Povo, uma reunião realizada nesta terça-feira (26) reuniu cerca de 30 lideranças empresariais, incluindo representantes da Fiesp e da CNI, com o objetivo de impedir a votação da proposta que busca extinguir a escala 6×1. A insatisfação do setor produtivo reside no fato de que o projeto, impulsionado pela esquerda, é visto como uma ferramenta para enfraquecer a economia e impor regulamentações trabalhistas excessivamente rígidas.
Os líderes empresariais expressaram veementemente sua oposição à medida, argumentando que o texto em discussão ignora a realidade econômica do Brasil. Paulo Skaf, representante da Fiesp, criticou a apressada tramitação da proposta, denunciando a falta de conhecimento dos elaboradores sobre as necessidades do país. Ricardo Alban, da CNI, reforçou a alegação de que o projeto representa um “engessamento” das regras trabalhistas, ameaçando a competitividade das empresas brasileiras.
A pressão se intensifica com o avanço da proposta na Câmara dos Deputados, onde o relatório já foi apresentado e deve ser votado nesta quarta-feira (27), sob o aval do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A ameaça de aumento de preços entre 6% e 8% decorrente da redução da jornada de trabalho serve como um alerta para os senadores, que precisam avaliar os riscos de uma medida que pode gerar desindustrialização e afetar milhões de empregos.









