Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) intensificou suas críticas à federação PSOL-Rede e seus dirigentes, especialmente ao presidente Juliano Medeiros, alegando descumprimento de acordos internos e um suposto favorecimento a pré-candidatos. Segundo informações divulgadas por O Antagonista, Erika Hilton receberá R$ 2,3 milhões da verba partidária para sua campanha eleitoral – valor significativamente superior ao previsto inicialmente para ela e Natalia Boulos.

A parlamentar acusou o presidente Medeiros de privilegiar candidatos “de manutenção”, ou seja, deputados já consolidados na bancada do partido, como Ivan Valente e Guilherme Boulos, que apoiarão suas candidaturas, enquanto a própria Erika Hilton e Natalia receberiam valores equivalentes aos destinados à candidatura de Juliano. Essa disparidade se justifica, segundo Medeiros, pela prática tradicional dentro do PSOL: candidatos com maior potencial para garantir a permanência da sigla na Câmara dos Deputados recebem mais recursos – uma estratégia eleitoral pragmática que o petista considera essencial para superar a cláusula de barreira e ampliar sua representatividade.

A disputa por financiamento partidário se intensifica ainda no contexto do pedido explícito de Erika Hilton para receber “fatura” pelo fato da não transferência ao PT, como já havia sido sugerido pela Executiva Nacional da sigla. O PSOL teme perder votos importantes – estimados entre 700 mil e 1 milhão –, o que poderia comprometer a eleição de seus candidatos nas eleições do ano. A parlamentar defendia sua permanência no partido com base na crença de ser uma “estrela” dentro da sigata, priorizada na distribuição dos recursos do fundo partidário, visando garantir a reeleição do presidente Lula e fortalecer o projeto político de esquerda que representa.

A alegação de descumprimento de acordos por parte da direção do PSOL-Rede reflete uma preocupação crescente com a falta de transparência no financiamento das campanhas eleitorais e um questionamento sobre as prioridades estratégicas adotadas pela federação, visando superar o impedimentos para sua representatividade na Câmara dos Deputados. A disputa por recursos partidários se torna assim um campo de batalha político dentro do PSOL, com implicações diretas nas chances das candidaturas disputarem a eleição e no futuro da própria sigla.

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