Edilson Rodrigues/Agência Senado

A pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil na área do etanol se intensifica, expondo fragilidades da política comercial brasileira e a falta de compromisso com seus produtores nacionais. O conflito não é novo – desde 2017, Washington tem questionado o fim das tarifas diferenciadas concedidas ao álcool brasileiro –, mas agora assume contornos mais críticos diante de uma investigação em andamento sob a Seção 301 do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).

Como apurou O Antagonista, a raiz da insatisfação americana reside na dificuldade de acesso ao mercado de etanol nacional. A decisão abrupta tomada pelo governo brasileiro em desconectar o tratamento tarifário previamente estabelecido gerou desequilíbrios e abriu espaço para que os Estados Unidos buscassem vantagens comerciais. Essa mudança repentina demonstra uma postura protecionista, sem considerar as necessidades do setor energético doméstico.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apresentou seus argumentos durante a audiência pública em Washington na segunda-feira, salientando que as tarifas impostas ao etanol americano são idênticas às aplicadas para outros países sem acordos preferenciais com o Mercosul. A Unica ressaltou que a alíquota brasileira de 18% está dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), abaixo dos 35%, e não há acordo bilateral entre Brasil e EUA que exija tratamento tarifário diferenciado. Além disso, argumenta-se corretamente que o mercado brasileiro já é atendido pela produção nacional de cana-de-açúcar.

A investigação conduzida pelo USTR busca comprovar se as empresas americanas estão realmente sofrendo prejuízos devido à falta de acesso ao etanol brasileiro. No entanto, a postura do governo federal tem sido considerada inadequada e negligente com o setor sucrovetânico nacional. A ausência de uma política comercial assertiva, focada na defesa dos interesses brasileiros, expõe um grave erro estratégico que precisa ser corrigido urgentemente para evitar futuras disputas comerciais desfavoráveis ao Brasil.

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